(Por Francesco Costa)
32 anos depois de fundado, dos quais 23 foi pedra e há apenas 9 é vidraça, o PT vem tomando um rumo muito semelhante ao do PMDB.
Só para relembrar o PMDB um dia foi MDB e tinha como bandeira a liberdade, demonstrada em suas constantes lutas pela democracia precisando para isto derrubar o opressor regime da ditadura militar. A militância reunia jovens, artistas e gente de nervos de aço que se expunha ao confronto com as armas que oprimiam o país.
O MDB passou a se chamar, por exigência da Lei Eleitoral, PMDB, atingiu seu alvo que era a redemocratização e cresceu sua bancada podendo opinar e até decidir as grandes articulações principalmente em Brasília. O PMDB, que outrora escolhia lutar pela liberdade dos oprimidos, há muito não escolhe governo nem ideologia, escolhe o poder.
Sentindo-se sem um legítimo defensor, era preciso de um partido novo, que trouxesse como alvo o povo, as massas. Nascia aí o Partido dos Trabalhadores, que trazia em sua alma a incorruptibilidade, e para mantê-la não se coligava em hipótese nenhuma com partidos, até então, considerados de direita.
A direita fez e aconteceu, manipulava e se revezavam no poder. Mas com o tempo percebeu que o povo tava cansado da brincadeira de gato e rato e o estoque de desculpas, um tanto esfarrapadas, estava se esgotando. Mas como escreveu Nicolau Maquiavel, no maior livro político da história, O Príncipe: “Quem vive de enganar, sempre achará alguém que se deixe enganar.” Precisavam de uma estratégia nova e foi aí que entrou o PT na história do país.
Após muitas tentativas, sem sucesso, de galgar o maior cargo político do país, a presidência da república, o operário e sindicalista, Luiz Inácio Lula da Silva, talvez tivesse sucumbido no quarto hound saindo da luta; mas para a direita, na época, a posição de Lula era perfeita para o momento afinal ali estava um homem que, além de querer com todas as forças a presidência, tinha a cara do povo e falava a língua deste.
Para a direita era a fórmula de se manter no poder, pois teriam assim grande parte no loteamento dos cargos públicos; enquanto Lula pensava que poderia realizar todas suas metas como, por exemplo, a reforma agrária e o combate à pobreza.
Pronto, o PT, incoligável, entendeu a máxima política: Não se elege sem grupo e nem se governa sem a oposição; e se misturou com todas as espécies de ideologias. A onda vermelha foi derramada de norte a sul, de leste a oeste; o MST acreditou,- e demorou a perceber não-, ser possível de fato retalhar os grandes latifúndios e caindo as cercas desse lugar a um modelo de reforma agrária justo; os trabalhadores apostaram que, com um operário no comando, tudo seria melhor e que tanto os salários quanto as condições de trabalho melhorassem como num passe de Mágica.
O operário chegou ao poder, mas não pela vontade do povo e sim pela imposição da máquina. Se manteve no poder por quatro anos, período em que perdeu muita gente de brio, se envolveu com escândalos, entre eles o mensalão; voltou no segundo tempo com a reeleição do ex-operário que agora tinha discurso refinado e aparência sob medida para a sua antiga oposição, e conseguiu uma prorrogação elegendo sua sucessora.
Porém nove anos depois e em pleno governo petista os acampamentos do MST continuam em condições insalubres à beira das estradas e os trabalhadores em constantes greves em busca de melhores salários.
O PT foi retalhado, no que eles chamam de tendência, e a militância foi transformada em massa de manobra nas mãos dos que detém “o controle remoto da máquina”.
Eu nunca duvidei que o operário tivesse a melhor das intenções com o, que sempre chamou de, “povo brasileiro”, mas para chegar lá precisou fazer acordos e compromissos o que o impossibilitou de cumprir seus compromissos com o povo e seguir a ideologia criada por ele ao fundar o Partido dos Trabalhadores, mesmo assim fez avanços. No início seguiu a cartilha deixada por FHC, mudou o nome de alguns projetos sociais e a coisa foi mantida nos trilhos sob a batuta dos mesmos partidos e nomes de antes: PMDB, PFL, Ciro Gomes, José Sarney etc.
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